Reinaldo

Neoliberalismo de Guedes mantém a economia sufocada por déficits e dívidas

O economista Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, tem razão em afirmar que os governos federal, estaduais e municipais gastam muito e gastam mal. O Brasil até 1930 operou no sistema clássico liberal laissez-faire, entregue às chamadas regras informais do mercado, e crescia em média 2,5% ao ano, com padrão de vida muito baixo e analfabetismo atingindo cerca de 70% da população.
Nani Humor: PAULO GUEDES
Com essa forma de liberalismo absoluto, nunca saímos de uma economia exportadora de produtos agrícolas e minerais sem beneficiamento algum.

A ERA VARGAS – Com a Revolução de 1930, sob a liderança do grande presidente Getúlio Vargas (1930 – 1945 e 1951 – 1954), mudamos para o sistema nacional desenvolvimentista industrialista, que propiciou até 1980 um crescimento médio de 7,5% ao ano, com implantação da indústria de base e a substituição de importações, eletrificou-se o país, baixou-se o analfabetismo para 7% e melhoramos muito nosso padrão de vida. Passamos de 50ª economia do mundo para 8ª.

A diferença principal entre os dois sistemas econômicos é que no liberalismo laissez-faire praticamente não há incentivo estatal, enquanto no nacional desenvolvimentismo industrialista o Estado protege o crescimento da indústria, principalmente no começo, para induzir sua expansão, com utilização de empresas estatais e mistas na infraestrutura e em setores estratégicos.

A ERA DOS DÉFICITS – Sendo assim, por que o nacional desenvolvimentismo industrialista, que melhorou muito o padrão de vida brasileiro, entrou em esgotamento em 1980? Depois teve tentativa de desmonte em 1990 com o presidente Collor de Mello, e mais forte ainda em 1995 – 2002, com o presidente Fernando Henrique Cardoso, foi reativado pelos presidentes Lula e Dilma em 1993 – 2016 e entrou em colapso de novo?

É que, nosso sistema nacional desenvolvimentismo industrialista passou a ser operado, diferentemente dos tempos de Vargas, com grandes déficits fiscais, quando o governo gasta bem mais do que arrecada, cobrindo o déficit com crescente endividamento e suportando também déficits no balanço de pagamentos internacional que mede a entrada e saída líquida de riqueza no Brasil.

ASPECTOS NEGATIVOS – O déficit fiscal vai aumentando a carga tributária até asfixiar a produção. O déficit do balanço de pagamentos internacional vai descapitalizando a economia nacional. E nenhum país ainda conseguiu a proeza de enriquecer com capital de terceiros. Só o “capital brasileiro”, como sempre nos disse o grande governador Carlos Lacerda, enriquecerá os brasileiros. O capital internacional deve ser sempre secundário numa economia próspera.

A nossa tragédia econômica, é que, quando esgotamos o nacional desenvolvimentismo industrialista (sistema mais produtivo), devido ao contínuo duplo déficit fiscal e do balanço de pagamentos internacional, em vez de combater a causa dos duplos déficits, partimos para mudança de sistema e adotamos o liberalismo laissez faire, que se mostra ineficaz para o Brasil.

Flávio José Bortolotto 

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