Surpresa com escolha do ministro da Educação, bancada evangélica nega interferência e festeja nome de Olavo de Carvalho

Membros da bancada evangélica se sentem “contemplados” com a escolha do colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, de linha conservadora, para ministro da Educação no governo Bolsonaro. “Excelente nome. Não é uma pessoa próxima de mim, vi ele algumas vezes aqui no Rio. Não é da minha rede de amizades. Nós não queremos esquerdistas lá, só isso “, afirmou o deputado Sóstenes Cavalcante (DEM-RJ). Takayama (PSC-PR), líder da frente evangélica, disse que a escolha de Ricardo Vélez é “mais uma prova de que a frente não interfere nas escolhas do presidente”.

“Já disse e repito: Nosso apoio ao Bolsonaro é por vinculação de princípios. Pode ter certeza de que é um excelente nome, ligado à Educação. De 1 a 100, dou 100 a Bolsonaro pela escolha do nome. Não o conheço pessoalmente, mas seu currículo é notável na área do ensino”, disse. O deputado Marco Feliciano (PODE-SP) também afirmou que confia na escolha do presidente eleito e acredita que seja um bom nome, apesar de não conhecer Vélez e suas ideias.

CRÍTICAS – Em um primeiro momento, o nome de Mozart Neves, diretor do Instituto Ayrton Senna, circulava na imprensa nesta quarta-feira, dia 21,  e foi duramente criticado por evangélicos. A insatisfação foi exteriorizada por Sóstenes e outros deputados à equipe de transição. Neves não mostrou ter compromisso com o movimento Escola sem Partido, que prega o fim de uma suposta doutrinação ideológica esquerdista nas escolas e universidades.

A demanda dos evangélicos é, principalmente, que não fosse escolhido nenhum nome de esquerda. Bolsonaro decidiu não seguir com a primeira opção dos religiosos, Guilherme Schelb, procurador regional da República que tinha o aval de Silas Malafaia. Optou por uma indicação feita pelo filósofo de direita Olavo de Carvalho. Em sua conta do Facebook, em 15 de outubro, Olavo de Carvalho disse: “Quem tem de ser ministro da Educação não sou eu: é o Ricardo Vélez Rodriguez.”

Olavo publicou recentemente um vídeo criticando o movimento Escola sem Partido. Disse que seus defensores “não entendem nada de combate cultural”, e que uma lei para proibir doutrinação é a ilusão de uma “solução mágica” para combater ideias esquerdistas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –  Irônico o comentário do líder da frente evangélica Takayama de que a escolha foi “uma prova de que a frente não interfere nas escolhas do presidente”. É sério?  O próprio pastor Sóstenes Cavalcante já bradou que ninguém que estiver “alinhado” com a esquerda poderá ocupar cargos na gestão de Jair Bolsonaro . (M.C.)
Por Natália Portinari/ O Globo